Baionetas caladas em manifestações estudantis na Paraíba era fato comum na década de 1960 Essa situação era decorrente do fato de a Polícia Militar não estar preparada para esse tipo de atuação, nem em termos materiais nem em termos técnicos. Só na década seguinte foram feitos treinamentos e adquiridos materiais para esse fim.Assim, as tropas empregadas para conter manifestações estudantis em João Pessoa, até 1969, além do despreparo técnico e da imaturidade do seu pessoal, utilizavam fuzis, com baionetas caladas que é um recurso adotado em combate de infantaria na iminência de luta corporal.
A baioneta é um instrumento perfurante de cerca de vinte centímetros, afixado no cano do fuzil, o que permite o uso da arma também como uma espécie de lança. Diante desse quadro, era de se esperar que uma tragédia de grandes proporções pudesse ocorrer a qualquer momento, o que constituía um tormento para os dirigentes da Corporação. Mas, com o passar do tempo essa situação ficou tão rotineira que os jovens estudantes já nem se assustavam com a presença dessas tropas.


Em 1969 foi criado um Batalhão Especial na Paraíba e em muitos outros Estados, no qual se previa a existência de uma Companhia destinada ao emprego do que era denominado de distúrbios civis. A partir de então alguns Oficiais da Paraíba foram encaminhados para fazer cursos especiais e começaram a treinar o efetivo empregado nessas situações.
Paralelamente foram adquiridos escudos e cassetetes diferenciados para emprego nessas ações. Os demais equipamentos e armas foram sendo adquiridos de forma gradual.
As bombas, granadas e spray de pimenta, considerados pelo Exército como material de guerra química, assim como os equipamentos de comunicações, curiosamente eram objetos de um controle especial pela IGPM. Como esse material era importado, o que dificultava os processos de licitação, e muito caro para os padrões orçamentários da Polícia Militar, os treinamentos práticos eram muito raros.
A faalta de desponibilidades deses meio fez com que a Corporação fizesse uso de baionetas caladas em manifestações estudantis, o que, por sorte, não gerou maiores consequências.


Interessante e ao mesmo tempo impressionante. Penso, porém, que o uso da baioneta tinha caráter meramente psicológico e intimidatório, assim como descrito na “Força moral da Farda na resolução de conflitos”. Na hora do confronto usava-se a coronha da arma. Remete-me à lembrança as manifestações londrinas, nas quais os manifestantes são arrastados por policiais com o mínimo emprego de armas não letais. Sendo assim, fica a comprovação de que mais investimentos em educação implica em menos violência de ambas as partes nos confrontos. Os manifestantes têm que ter a consciência que não se pode depredar o patrimônio público e que… Leia Mais »