Mabel – A alma silenciosa da DGP/4, é como podemos definir a ligação funcional, afetiva e a competência profissional da Tenente Mabel com esse setor por ela dirigida na administração da Polícia Militar da Paraiba. Neste texto focamos, de forma sintética, a impotância que algumhas pessoas, graças ao seu comprometimento com a instituição, alcançam no funcionamento na máquina administrativa da corporação. É o que passamos a fazer.
Toda instituição, por mais estruturada que seja, não vive apenas de regulamentos, tecnologia ou organogramas. Existe algo invisível que sustenta o funcionamento das engrenagens administrativas: o espírito humano daqueles que transformam tarefas em missão e rotina em vocação.
São pessoas que, ao longo dos anos, passam a conhecer cada canto do setor onde trabalham. Sabem onde repousa cada documento, recordam histórias que não estão escritas em nenhum relatório e, pouco a pouco, tornam-se parte viva daquele ambiente. Em certos casos, o setor deixa de ser apenas um local de trabalho e passa a carregar o nome e o jeito de quem o conduz. É quando surge aquela expressão espontânea, nascida do reconhecimento coletivo: “Esse setor tem a cara de fulano”.
Na Polícia Militar da Paraíba existem muitas dessas figuras silenciosas, que ajudam a preservar a memória e garantir o funcionamento da máquina administrativa. Entre elas, destaca-se a Tenente Mabel da Cruz Leite, presença marcante no setor de arquivos funcionais do pessoal ativo e inativo da Corporação — a conhecida DGP/4.
Ali repousam dezenas de milhares de processos, testemunhos documentais de carreiras inteiras dedicadas à segurança pública. São registros que contam histórias de promoções, transferências, licenças, sacrifícios e conquistas. Papéis que, para muitos, representam apenas números e datas, mas que, sob o olhar atento de Mabel, tornam-se fragmentos vivos da história da Corporação e de seus integrantes.
No cotidiano silencioso daquele setor, Mabel organiza, preserva, orienta e atende com a serenidade de quem compreende a importância de cada documento e, principalmente, de cada pessoa que busca informações ali. Seu trabalho vai além da técnica. É marcado pela dedicação, pelo dinamismo e por um entusiasmo que revela verdadeiro amor pela função.
Sem formação acadêmica em Arquivologia, construiu seu conhecimento com disciplina autodidata e com a experiência acumulada ao longo dos anos nos diversos setores da Polícia Militar. Herdou e aperfeiçoou métodos desenvolvidos por profissionais que a antecederam, tornando-se guardiã de um patrimônio documental que representa a própria memória administrativa da Corporação.
Sua trajetória militar começou a ser escrita ainda jovem, quando prestou concurso para o Curso de Formação de Sargentos, sendo aprovada em dezembro de 1987. Contudo, sua inclusão somente ocorreu em 30 de março de 1989, integrando a primeira turma feminina do CFS na Paraíba, concluída em janeiro de 1990 — marco histórico na presença da mulher nas fileiras da Polícia Militar do Estado.
Nos primeiros anos de carreira, serviu no 1º Batalhão, em João Pessoa, onde permaneceu por cinco anos. Em 1995, passou a exercer funções no Tribunal de Justiça da Paraíba, atuando na segurança do Tribunal do Júri. Ali permaneceu por quinze anos, convivendo diariamente com a tensão e a solenidade dos julgamentos que marcam profundamente a vida social.
Retornando ao Quartel, foi classificada na Diretoria Geral de Pessoal, onde transitou por diversos setores até assumir, em 2023, a direção da DGP/4. Foi nesse momento que sua história se fundiu definitivamente com a daquele arquivo. Hoje, entre estantes e processos que guardam a trajetória funcional de gerações de policiais militares, Mabel trabalha com o zelo de quem cuida não apenas de papéis, mas de legados.
Quarta filha de uma família numerosa, composta por dez irmãos, Mabel nasceu em 17 de fevereiro de 1965, em João Pessoa. Cresceu no ambiente simples e acolhedor da Rua da República, onde seus pais, Moisés de Brito Leite e Vanda da Cruz Leite, construíram o alicerce moral da família.
Desde cedo demonstrou disciplina e dedicação aos estudos. Cursou o ensino primário na Escola Estadual Corálio Soares de Oliveira e o ginásio no Colégio Irineu Pinto, em Bayeux. Anos depois, já consolidada na carreira militar, concluiu o curso de Licenciatura em Língua Inglesa, em 2010, reafirmando sua busca constante pelo conhecimento.
Antes da vida militar, ainda na juventude, trabalhou como caixa da tradicional Loja Americana, a Lobras, experiência que ajudou a moldar sua responsabilidade e seu trato com o público.
A figura paterna teve forte influência em sua formação emocional. Seu Moisés, mecânico da aeronave do saudoso político José Maranhão, era também exímio violonista. Gostava de cantar canções de Nelson Gonçalves e Altemar Dutra, melodias que ecoavam nas noites familiares e que marcaram o gosto musical de Mabel, preservado até hoje como herança afetiva.
Casou-se ainda muito jovem, aos 18 anos, constituindo família e criando três filhos: Pricilia, Weskle Chamoro e Wollysson Bruno, todos atualmente casados e residentes em João Pessoa. Com os filhos já adultos, a vida lhe apresentou novos caminhos. Após o divórcio, reencontrou o amor ao lado de Francisco Moura da Silva, com quem construiu uma convivência harmoniosa ao longo dos últimos doze anos.
Em 2017, Mabel passou para a reserva remunerada, mas não se afastou do serviço que aprendeu a amar. Ingressou na Guarda Militar da Reserva e permaneceu à frente da DGP/4, demonstrando que, para alguns servidores, o compromisso com a instituição ultrapassa os limites formais da carreira.
Hoje, quem atravessa as portas daquele setor percebe rapidamente que ali não existem apenas arquivos organizados. Existe cuidado, memória e respeito. Existe a presença de alguém que transformou o trabalho em missão.
Por isso, entre corredores silenciosos e estantes repletas de histórias, ecoa uma frase que traduz o sentimento de quem conhece o setor:
A DGP/4 tem a alma de Mabel.
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